Início > Uncategorized > Distintos

Distintos

Quem surrupia o canto negro das mazelas esquecidas?

Maquia com teu pincel oblongo as faces cadavéricas

Dos maltrapilhos?

Donde nas cidades eles se escondem?

Filhos da pátria, velhos e jovens

Abortados, dormem nas calçadas imundas

Fétidos filhos. Todos pródigos. Velhos de guerra.

Encarcerados de liberdade, vagueiam vadios pelas terras urbanas

Lacerados, machucados, cobertos de sangue e pus.

“Levem-nos, os intocáveis

Enjaulai-os nas catacumbas imundas

Negros, filhos de Caim.

Caiam nas graças do desespero!

Amado Hades, deus dos infernos

Transformai-os neste baile moderno

Nos teus filhos mais queridos!”

Não senhores, eu não me vendo!

Não quero poderes de cicerone

A cidade abalada não dorme sem estes seres

Vadios, que sejam

Mas seres

Humanidades

Prosopopéias ambulantes

Almas com seus sonhos inebriantes

Embalados por ópio e pó.

“brutais bandidos da sujeira

Esgueiram-se de nós, covardes gentes

Reproduzem-se corruptos nas ruas”

Viva a luta dos sonhadores

Eles que se mutilam da quietude

Banham-se nas águas dos hipócritas

Mas saem sempre limpos, cobertos de virtude

“é outra primavera vã

Juntemo-nos em torno do obelisco

Entoai canções de vanguarda, distintos cavalheiros

Senti o cheiro das rosas enquanto é tempo”

Mas que há de mal em mim?

Produzimos, eu e tu os mesmos cheiros

Viemos da mesma lama, o mesmo barro

A mesma matéria primordial nos criou

“Vós que gemeis na primavera

Não percebei que é tempo de virtude?

Larga então esta estranha vestimenta

Caminha comigo pelos pântanos imundos”

Morramos então, morramos

E dancemos juntos nas catacumbas

Desçamos para as ruas

Filhos e filhas da pátria

Brancos, negros e índios

A Nova Bastilha nos espera

Para que juntos possamos colher os frutos

Da união, da glória

Enquanto a noite natimorta nos ilumina

CategoriasUncategorized
  1. Thiago
    setembro 2, 2009 às 1:12 am | #1

    “Presa nos elos de uma só cadeia,
    A multidão faminta cambaleia,
    E chora e dança ali!
    Um de raiva delira, outro enlouquece,
    Outro, que de martírios embrutece,
    Cantando, geme e ri!”
    Estes versos, escritos há mais de um século atrás não deveriam ser tão atuais. Embora muitos traumas tenham sido superados por nós, no que diz respeito a isso, ainda temos um preconeceito racial terrivelmente arraigado.

  1. Nenhum trackbacks ainda.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.